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A criação seletiva aplicada ao peixe betta

O que é criação seletiva

A criação seletiva (ou Selective Breeding, em inglês) é uma técnica utilizada para o desenvolvimento de uma nova variedade, resultante de um programa de melhoramento genético.

Interessante de ressaltar é o conceito de criação: “criação é a ciência aplicada da genética; ou seja, um aquicultor (aquarista, em nossos casos) que conduz um programa de melhoramento seletivo é criador”.

A figura 1 apresenta um exemplo de gráfico de evolução, especificamente do lobo selvagem aos cachorros através da criação seletiva.

 

Figura 1 – Evolução do lobo selvagem aos cachorros: a criação seletiva

Fonte: Internet

A criação seletiva no mundo dos bettas

De acordo com o artigo publicado pela Universidade da Flórida intitulado ‘Evolution, Culture, and Care for Betta splendens’, o betta atual é um produto de quase 100 anos de história da criação seletiva.

Inicialmente os machos eram selecionados por sua agressividade para populares rinhas de bettas na Tailândia – acredite, é uma prática comum naquela região, da mesma maneira que há rinha de galos e outros animais em todo o mundo.

Os bettas de hoje são muito diferentes que os bettas combatentes de antigamente; tornaram-se coloridos e embelezam nossos aquários, sendo este seu principal mercado nos dias de hoje.

Ainda, esforços em sua reprodução são totalmente focados na beleza do peixe Betta, embora a agressividade permaneça.

No caso dos bettas, observamos que há alguns motivadores, entre outros:

  • Vantagem comercial sobre outras variedades: ocorre quando o criador visa maior lucro com a venda de suas matrizes (quando da atividade profissional com o peixe Betta);
  • Ter maiores chances de pontuação em exposições especializadas de bettas;
  • Satisfação pessoal como hobbysta por obter uma nova variedade estável e replicável;

Na figura 2 representamos o Betta Azul Royal e o Betta Black Devil.

 

Figura 2 – Betta Azul Royal e Betta Black Devil

Fonte: Internet

 

Melhoramento genético

O melhoramento genético é resultante de peixes com certos fenótipos e descarte de peixes que não os possuem. Entende-se que o descarte trata dos fins para novos acasalamentos, onde o criador mantém o peixe até seu final de vida, presenteia alguém com o pet ou outra destinação.

A partir disto da seleção, o criador espera uma população de peixes geneticamente melhorada. Caso isto aconteça, os peixes da próxima geração serão mais valiosos porque seus genes permitirão a exibição de uma cor, arranjo de cores e/ou formato desejável.

Para que se possa realizar o melhoramento genético, a identificação dos traços é necessária. Estes, por sua vez, são expressões físicas dos genes, compondo assim o fenótipo – que é individual para cada exemplar, gerado pela combinação dos traços e fatores ambientais.

Consulte nosso artigo “Bettas de linhagem: conceitos e particularidades” para mais informações sobre estes conceitos.

 

Manejo genético

Um criador que entende por que está fazendo algo, é mais provável que o faça corretamente, e isso garante o sucesso.

Há dois tipos de traços:

  • Quantitativos
  • Qualitativos

Os fenótipos (ou traços) quantitativos são aquelas características que podem ser mensuradas, tais como comprimento do exemplar, peso, entre outros. Um exemplo de fenótipo quantitativo que vemos nos bettas são o número de raios da nadadeira dorsal e o número de ramificações da nadadeira caudal nos bettas, de acordo como apresentado na figura 3.

 

Figura 3 – Ramificações na nadadeira caudal dos bettas

Fonte: Arquivo interno Betta Project

 

Fenótipos qualitativos são traços (ou características) que não são medidos, e sim arbitrados (ou julgados) de maneira não numérica. Ex: escuro/claro e cores, tais como azul, melano (ou preto), amarelo, vermelho.

Em nosso Curso sobre a Genética do Betta, você conhecerá uma gama de traços para analisar e trabalhar suas matrizes e ninhadas dos bettas por meio da criação seletiva.

Ganhos com a criação seletiva

A criação seletiva provou ser o processo mais efetivo para melhoria genética de plantas e animais. Especificamente na aquicultura ornamental, verifica-se que nos anos 1970 os guppies tenham despertado especial interesse para criação seletiva. É um peixe fácil de ser reproduzido e prolífero.

Para que você tenha uma ideia do quão importante é a criação seletiva de exemplares com vistas à melhoria genética, a figura abaixo mostra diferentes cenários podem resultar de distintos manejos genéticos: com seleção (criação seletiva), selvagens e pobre manejo genético (voltado à sorte, sem conhecimento).

 

Fonte: Food and Agriculture Organization for the United States. Adaptado pelos autores

 

Como se pode verificar, o desconhecimento das questões sobre o manejo genético resulta no declínio da performance das populações dos exemplares – em nosso caso, dos bettas.

 

Conclusões

Uma das frentes do setor de aquicultura é, justamente, prover o manejo genético eficiente de exemplares domesticados: e partir disso emerge o conceito da criação seletiva.

O manejo e retenção da diversidade genética fornece matéria-prima para o sucesso da criação seletiva.

Trazendo este contexto para os aquários dos bettas domesticados, verifica-se quão importante é o conhecimento da Genética do Betta com vistas ao melhoramento de sua beleza estética.

Desejamos sucesso com seus bettas!

 

Referências:

[1] Food and Agriculture Organization for the United States (www.fao.org)

[2] Revista Aquaculture Europe – 4º Bimestre 2010

[3] WATSON, Craig et al. Evolution, culture, and care for Betta splendens. EDIS, v. 2019, n. 2, 2019.

[4] Arquivo interno Betta Project

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