Betta-fish-genetics

Lacunas na modelagem genética dos não-vermelhos

A modelagem mundialmente aceita para a pigmentação vermelha nos Bettas mostra-se ineficaz para explicar a questão que trataremos aqui: o pigmento vermelho sangue existente na coloração dos Bettas atuais.

Apresentamos neste artigo (e por meio de nosso Curso sobre a Genética do Betta) os indícios que apontam para a existência de um novo pigmento. Proporemos uma modelagem genética para fins práticos nas estufas de criadores de bettas.

Veja que interessante isto pode ser em suas linhagens de bettas!

 

Um novo pigmento nos bettas

Os bettas que conhecemos em aquários possuem cores e sua distribuição muito variadas. Genes atuam na fixação ou instabilidade de cores e arranjo de cores no fenótipo, permitindo a sua alteração longo da vida do betta – o que é indesejado para criadores que buscam estabilidade nos melhoramentos de suas linhagens.

Os bettas domesticados que conhecemos hoje são fruto do cruzamento entre diferentes espécies do gênero Betta. Ou seja, são híbridos férteis estética e comercialmente muito atrativos.

Nesse sentido, um novo pigmento vem atraindo a atenção dos criadores, o qual denominaremos VERMELHO SANGUE ou BLOOD RED em inglês.

 

O betta atual: um híbrido fértil e suas modelagens genéticas

A criação seletiva de bettas é algo que ocorre com início sem precedentes. Todas as características visuais (cores, arranjos de cores e formatos) possuem Modelagens Genéticas, algumas das quais ainda são da década de 1960, idealizadas pelo pesquisador Gene Lucas e outros.

O betta domesticado, encontrado em exposições é fruto do cruzamento entre o Betta imbellis, o Betta smaragdina, o Betta mahachaiensis, o Betta simorum e outras, resultando em verdadeiras joias vivas.

 

A natureza do traço vermelho sangue

Verifica-se esse novo tipo de coloração vermelha nos primeiros bettas Red Dragon que surgiram no mercado mundial. A foto abaixo ilustra um exemplo.

Note que a qualidade do tom vermelho existente em alguns Bettas Red Dragon (foto acima) é diferente daquela que encontramos nos bettas vermelhos tradicionais – os vermelhos cereja.

De acordo com o modelo tradicional sugerido por Gene Lucas, o betta é vermelho (NrNr, Nrnr) ou não-vermelho (nrnr). Ou seja, nunca os dois ocorrendo simultaneamente.

Importante

Lembre-se que na nomenclatura da genética, tudo relacionado à recessividade utiliza letra minúscula, e quando referido à dominância, utiliza-se a letra maiúscula.

A partir disso, tem-se os três genótipos da modelagem inicial (década de 1960) que definiriam a presença de vermelhos e amarelos. Veja abaixo:

Nr Nr – vermelho homozigoto (ou seja, os dois alelos são iguais)
Nr nr – vermelho heterozigoto (ou seja, os dois alelos são diferentes)
nr nr – não vermelho (recessivo) – seriam os amarelos

Gene Lucas não estava preocupado em classificar cada um dos arranjos de cores diferentes dos tradicionais amarelos. Estes começaram a surgir a partir do acasalamento entre vermelhos heterozigotos Nrnr e amarelos nrnr.

Começaram a surgir os bicolores pineapple e chocolate, e mais tarde, durante a década de 1990, os alaranjados, e os rosados.

Tanto os rosados, alaranjados, pineapples, chocolates, como os próprios amarelos serão nrnr no modelo proposto por Gene Lucas.

 

Veja as fotos mostradas abaixo.

OBS: não confunda os rosados com os bicolores cambojas, que possuem outra modelagem genética.

 

Validação: este novo vermelho seria realmente um novo pigmento?

Para a coloração vermelho sangue dos primeiros Bettas Red Dragon haveria uma nova hipótese: uma modelagem diferente do vermelho cereja tradicional.

Isto se comprovou quando este vermelho começou a se manifestar em alguns bettas, juntamente com o tradicional amarelo, os chocolates e os pineapples.

Os fenótipos dos Bettas Plakat abaixo apresentam esta característica:

Note que existem as cores amarela e vermelho sangue se manifestando juntas no betta nas imagens acima. Portanto, verifica-se a necessidade de modificar e ampliar o modelo tradicional.

 

Surgem então questões para validação desta modelagem

a) Como definir as cores do novo vermelho e as de não-vermelhos trabalhando juntas?

Torna-se evidente que é necessário um segundo par de genes para sua modelagem, juntamente com o par Nr/nr.

b) Como pode ser isso possível de acordo com o modelo universalmente aceito para os vermelhos e não-vermelhos?

Por serem híbridos férteis, seu DNA apresenta genes diferentes para o pigmento vermelho sangue frente aos vermelhos e não-vermelhos, cada qual coexistindo em um lócus específico.

 

Proposição de modelagem genética para o gene vermelho-sangue em bettas

Os tradicionais genes (Nr) e (nr) existentes na modelagem atual continuariam responsáveis pela presença tanto do pigmento vermelho cereja quanto dos não-vermelhos.

Teremos, portanto, outro tipo de pigmento vermelho – vermelho sangue – representado pelos alelos Sg e sg. Lembre-se que são alelos originados de uma espécie diferente do Betta splendens, contribuindo na formação do híbrido fértil que conhecemos.

Veja esse Orange infiltrado com vermelho sangue (o chamado Orange Dalmatian).

Este betta possuirá os alelos nrnr (referente à coloração alaranjada), e um par residente no outro lócus Sg/sg, que poderá ser SgSg, Sgsg ou sgsg.

Não entraremos na análise e discussão desses novos traços e a sua modelagem prática. Caso deseje saber como trabalhar com esses modelos práticos, ingresse em nosso Curso sobre a Genética do Betta, acessando nosso site (www.bettaproject.com).

Boa sorte com seus Bettas!